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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Especial Video Games Metal

No dia 21 de novembro aconteceu em Brasília o único evento do Brasil que reúne vídeo game e música , o Video Games Metal. Organizado por um grupo de nerds, geeks apreciadores do metal, o VGM contou com a presença de bandas da cidade e a grande atração Megadriver que iniciou o game metal no Brasil.

O IpêrCult esteve presente no evento e teve acesso exclusivo ao backstage. Conversamos com algumas bandas e as informações que conseguimos você confere nesse especial que preparamos para você. Todas as matérias abaixo fazem parte do Especial. Se quiserem visualizá-las ao todo é só clicar no marcador "Especial Video Games Metal".

Antes de apresentarmos as bandas, confira quem foi o produtor que idealizou esse evento.

Tiago Battousai, 23 anos e produtor do VGM
O mais interessante de todo o evento foi a organização e abrangência do trabalho de uma equipe muito nova, mas velha quando se trata de produzir evento. Thigo Battousai integra a Liga Dojo de produções, mas antes disso ele é criador da Facção Nitendo DF, evento que reúne gamers para jogar apenas jogos de Nintendo.

Tiago teve a ideia de fazer o VGM há cerca de três anos, mas só neste ano foi possível colocar tudo no papel e planejar. Quer dizer, nem foi preciso do papel, a organização do evento aconteceu em apenas dois meses. “Quanto tempo a gente organizou? Ah, sei lá, uns 2 meses!”, relata o produtor com um pouco de timidez.

“Fui eu quem produziu isso daqui tudo”, conta Tiago a um colega que veio conferir o show. Ele faz questão de enfatizar que é muito difícil produzir eventos que seguem o estilo musical de metal e principalmente de vídeo game retro. “Vocês estão gostando? Então vamos mostrar que nós podemos fazer um evento desse nessa cidade que não valoriza o metal!”, agita Tiago durante o evento.

Junto com Tiago a Liga Dojo, produtora do VGM, conta com mais oito integrantes com idades semelhantes. Todos são muito novos, mas todos já criaram ou ajudaram a criar algum tipo de grupo para jogar vídeo games ou eventos.

Em entrevista, John Hebert, co-produtor do VGM e tecladista da Rockband GM, informou que a Liga Dojo foi chamada para produzir um evento de game no Acre. “Em janeiro estamos no Acre”, informou.

ForceField uma banda criada só para o evento


A primeira banda a subir no palco às 18h40 foi a banda criada praticamente para tocar no VGM: ForceField. Com cinco integrantes e um ex-integrante, que fez participação como Mário, a banda variou no repertório com músicas instrumentais e também com o vocal feminino de Sophia.

Em entrevista cedida para o blog no camarim, a banda revelou que quando Tiago veio falar do VGM para eles, era apenas para convidar a ir no evento. Mas João foi incisivo: “Olha eu tenho uma banda, a gente podia tocar”. O diálogo continuou com Tiago perguntando se eles tocavam música de vídeo game, na hora João respondeu: “Tocaaamos, é claro!”. Acontece que eles nunca haviam tocado música de vídeo game juntos.

Quando Tiago foi ver o ensaio da banda para escutar as músicas de game, a banda tocou várias músicas do repertório de rock clássico e progressivo e por último tocou duas músicas que haviam ensaiado. “E foi isso, conseguimos tapear o Tiago, e ele acabou decidindo por nos colocar na parada”, informou em tom de brincadeira.

Mas a escolha de Tiago foi certeira, Guilherme (guitarra), João (baixo), Max (guitarra), Sophia (vocal), Francisco (baterista), Togawa (teclado) e Lula (Mario) possuíam uma bela presença de palco. O ponto alto do show foi quando Sophia subiu ao palco para cantar a música do game Metal Gear Solid 3. A primeira fila da platéia, composta basicamente por homens de preto, começaram a reverenciar a cantora de 17 anos.

Smash Bros, Coral dos Espírito, Dragon Force Cover e Rockband GM

Por volta das 20h começa a tocar a banda paulista SmashBros. A banda já tocou em Brasília em alguns eventos de Anime e principalmente no Codama. No repertório as trilhas dos games Megaman, Sonic, Final Fantasy, Zelda, etc.

A banda Coral dos Espíritos foi a única que não tocou nenhuma trilha sonora de vídeo game. A banda toca trash metal com composições próprias. Foi uma quebra no ritmo do evento que tocavam várias trilhas sonoras repetidas. Para o pessoal que já estava ficando enjoado com as músicas deu pra dar uma relachada e curtir um som bem diferente (confira).

O mais interessante dessa atração foi o fato deles terem músicas próprias. Embora não haja incentivo para isso em Brasília, muito menos para banda de trash metal, os meninos compõem e ainda mantém um público cativo via MySpace.

Dragon Force Cover foi a atração mais rápida de todo o evento. No repertório apenas duas músicas: “Carry on” e "Through the Fire and Flames". Embora a apresentação tenha sido relâmpago, já foi o suficiente para a banda, ou melhor, o vocalista mostrar todo o seu potencial. Carlo Felipe (orkut) atingiu as notas agudas de André Matos e acreditem, não deixou a desejar. Vejam no vídeo abaixo. (A qualidade do som não está muito bom. Se quiser ir direto ao ponto, comece a escutar em 4 minutos).



A Rockband Game Metal é conhecida do público gamer de Brasília. A banda possui uma comunidade bem freqüentada no Orkut e divulga todos os seus vídeos no YouTube. No VGM a banda tocou clássicos como Top Gear, Castelvania, Mega Man, God of War 4, Super Mario, Metal Gear, Final Fantasy, entre outros. A banda apresentou músicas inéditas como uma composição própria para a sequencia de filmes do Star Wars e também uma versão metal do hit Smooth Criminal do Michael Jackson. A Rockbanda já divulgou o vídeo da maioria das músicas que apresentou no VGM, confira no canal da banda no YouTube. Confira o vídeo gravado pela equipe IpêrCult:



Mega Driver, os precursores do Game Metal

Faltando 15 minutos para uma hora da madrugada, a atração mais esperada do evento sobe ao palco com o desafio de empolgar uma plateia que há sete horas esperava por Megadriver. Nino, o guitarrista e fundador da banda, sobe ao palco e anuncia: “Galera será que vocês estão muito cansados para ouvir a gente tocar? Porque se tiverem, de boa, a gente reduz o repertório aqui que está longo”. A plateia, é claro, reagiu com um belo não.

O repertório de 18 músicas começou com a trilha de um game bem antigo e pouco conhecido do público em geral, Altered Beast. Quem teve fôlego para aguentar até o final e ficou desanimado com a espera, logo se animou com a qualidade do som da banda e também pelo entretenimento que Nino fez questão de manter durante toda a apresentação.

Logo no início a banda chama ao palco o um garoto que, segundo Nino, "está botando pra quebrar no Street Fighter",para jogar contra a máquina enquanto eles tocavam a trilha do game (confira o vídeo). Depois chamou ao palco um menino da platéia para tocar a versão programada por Nino do jogo Guitar Hero com a música do Top Gear. A palteia ficou muito empolgada porque o mesmo nível de dificuldade exigido pela música foi programado na esteira do Guitar Hero. O desafio foi vencido pelo garoto que acertou 83% das notas exigidas (confira o vídeo).

Em entrevista especial ao IpêrCult Nino conta que começou tocando o estilo game metal em 1999 por vontade própria. Depois, por incentivo dos amigos começou a divulgar o material na internet em versão mp3 e vídeo. “Eu perdi os dados do meu site anteriores a 2005, mas de 2005 para cá já fivemos 11,5 milhões de downloads feitos”, informa Nino.

Rubão (baixo) e Ricardo (guitarra) estão na banda desde 2005, ambos conheceram o Nino na faculdade de Audiovisual. Todos os integrantes são programadores e trabalham nesta área. “A gente faz shows na maioria das vezes em eventos de Anime, alguns de games, então precisamos trabalhar para tirar uma grana garantida”, conta Nino. Já o baterista Jeff está na banda "desde quando o Nino me deixou tocar todos os instrumentos", como costuma brincar.

Todos são fãs de games e reconhecem que o Video Games Metal é o único evento desse estilo no Brasil, único e primeiro. “Não existe espaço para metal no Brasil todo. Esse etilo é pouco incentivado, e conseguir realizar um evento desse porte, com todas essas bandas é uma coisa inédita e prova que podemos mudar este cenário”.

Quando questionado sobre a falta de espaço na mídia par divulgar bandas de game metal, Nino foi incisivo: “A culpa não é só dá mídia não. A culpa está na própria galera que não quer fazer música própria, estão sempre fazendo cover e não produzem nenhum sucesso de sua autoria”.

Além de produzirem suas prórpias versões das trilhas sonoras, o Mega Driver ainda edita todos os vídeos que vão ao ar em seus shows. Vídeos muito bem editados, diga-se de passagem.

Para ouvir todas as músicas do repertório da banda, além de assistir aos vídeos e ouvir todos os CDs produzidos pela banda, basta apenas acessar o site www.megadriver.com.br e fazer o download gratuito de todo o conteúdo.

A banda também possui uma comunidade no Orkut, Msn e Twitter (clique nos nomes e acesse).